Mapa da aula
Aula 01 publicada. Mapa, exemplo, EX001.
flowchart TD
N0["1.1 Do tema à pergunta"]
N1["1.2 Uma busca documentada"]
N2["1.3 Extração de evidências"]
N3["1.4 Julgamento das fontes"]
N4["1.6 Atividades práticas"]
N5["Síntese"]
N0 --> N1 --> N2 --> N3 --> N4 --> N5
N5 --> EX["Exemplo resolvido"]
EX --> Q["Exercício EX001"]
Desenho lógico
flowchart LR
N0["1.1 Do tema à pergunta"]
N1["1.2 Uma busca documentada"]
N2["1.3 Extração de evidências"]
N3["1.4 Julgamento das fontes"]
N4["1.6 Atividades práticas"]
N5["Síntese"]
N0 --> N1 --> N2 --> N3 --> N4 --> N5 --> Q["EX001"]
[1.1 Do tema à pergunta]
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v
[1.2 Uma busca documentada]
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[1.3 Extração de evidências]
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v
[1.4 Julgamento das fontes]
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v
[1.6 Atividades práticas]
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v
[Síntese]
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v
[Exemplo resolvido] --> [Exercício EX001]
Objetivos de aprendizagem
Você vai (1) passar de um tema a uma pergunta pesquisável com uma unidade de análise clara; (2) conduzir uma busca bibliográfica sistemática e documentada em veículos de segurança e de aprendizado de máquina e em servidores de preprints; (3) extrair evidências para uma matriz de comparação; (4) julgar a qualidade das fontes, inclusive preprints e material de fornecedores; e (5) escrever uma seção curta e honesta de estado da arte.
1.1 Do tema à pergunta
"Privacidade da IA" é um tema. "Deduplicar os registros de treino reduz a vantagem da inferência de pertencimento contra um classificador de texto ajustado, e a que custo de acurácia?" é uma pergunta. Uma pergunta pesquisável nomeia um sistema (classificador ajustado), uma intervenção ou fator (deduplicação), um desfecho (vantagem da inferência de pertencimento; acurácia) e, implicitamente, uma comparação (com versus sem). O acrônimo PICO, da medicina baseada em evidências (população, intervenção, comparação, desfecho — outcome), é um modelo útil. Verifique a viabilidade cedo: você consegue obter ou sintetizar os dados, tem capacidade computacional, o trabalho cabe no prazo, e ele é ético e autorizado?
1.2 Uma busca documentada
A literatura de segurança de IA está espalhada por conferências de segurança (IEEE S&P, USENIX Security, ACM CCS, NDSS), conferências de aprendizado de máquina (NeurIPS, ICML, ICLR) e preprints do arXiv, além de frameworks do NIST, da OWASP e do MITRE. Escreva um protocolo de busca: bases (por exemplo, DBLP, Google Scholar, arXiv, ACM Digital Library), expressões de busca, intervalo de datas, critérios de inclusão e exclusão, e a data em que você buscou. Siga as citações para frente e para trás a partir de artigos-semente — para inferência de pertencimento, Shokri et al. (arXiv:1610.05820) é a semente óbvia. Registre as contagens em cada etapa (encontrados, triados, incluídos) para que um leitor possa repetir a busca. Esta é uma versão leve da prática de revisão sistemática; ela protege você de citar apenas o que já conhecia.
1.3 Extração de evidências
Monte uma matriz com uma linha por artigo e colunas para: modelo de ameaça (conhecimento e acesso do atacante), tipo e tamanho do modelo, dados, métrica, resultado principal, defesa testada, avaliação adaptativa, disponibilidade de código e limitações. Em trabalhos de privacidade, registre se o artigo relata a taxa de verdadeiros positivos com baixa taxa de falsos positivos (TPR com FPR baixa) ou apenas acurácia/AUC médias; a primeira importa porque um ataque que identifica com confiança alguns indivíduos é um dano real, mesmo que o seu desempenho médio pareça modesto. A matriz vai revelar divergências e lacunas que se tornam a sua contribuição.
1.4 Julgamento das fontes
Ordene as evidências pelo quanto podem ser verificadas. Artigos revisados por pares com código publicado são os mais fortes; preprints podem ser excelentes, mas não foram revisados; blogs e marketing de fornecedores são alegações a verificar, não evidência. Normas e frameworks (NIST AI 100-1, AI 100-2 E2025, ISO/IEC 42001) definem vocabulário e expectativas; não são resultados experimentais. Quando um preprint sai depois num veículo, cite a versão final se ela for diferente. Nunca cite um artigo que você não abriu, e nunca invente um DOI: se não encontrar um identificador, cite o título, os autores, o ano e a URL que você de fato usou.
1.5 Exemplo resolvido (caso sintético da Harbourline)
O protocolo de Leo buscou no DBLP, no arXiv e no Google Scholar em 2 de fevereiro, com expressões que combinavam "membership inference", "fine-tuning", "deduplication" e "memorization", no período 2016–2026, incluindo estudos empíricos sobre classificadores ou modelos de linguagem e excluindo artigos sem modelo de ameaça declarado. Dos 212 resultados, 61 passaram na triagem por título, 24 na triagem por resumo e 17 na leitura do texto completo. A matriz mostrou que a maioria dos estudos relatava AUC, poucos relatavam TPR com FPR de 0,1% e só três testavam a deduplicação diretamente — todos em modelos de linguagem generativos, nenhum em classificadores ajustados. O parágrafo de estado da arte de Leo disse isso com clareza e citou Carlini et al. (arXiv:2012.07805) para a extração literal como o dano motivador.
O laboratório de inferência de pertencimento mostra a ideia central que Leo vai estudar: quando um modelo efetivamente memoriza os seus registros de treino (k = 1), o pertencimento é detectável; quando ele generaliza (k maior), o sinal se dissipa.
"""Lab M: membership inference against an overfit 1-nearest-neighbour 'model'
that returns a confidence score. Synthetic records only; teaching model."""
import random, math
rng = random.Random(5)
def rec():
y = rng.random() < 0.5
return [rng.gauss(0.6 if y else -0.6, 1.0) for _ in range(4)], int(y)
members = [rec() for _ in range(150)]; nonmembers = [rec() for _ in range(150)]
def confidence(x, y, k):
# k-NN vote share for the true label, computed over the training set
d = sorted((sum((a-b)**2 for a, b in zip(x, m)), my) for m, my in members)
return sum(1 for _, my in d[:k] if my == y)/k
def auc(pos, neg):
s = sum((p > n) + 0.5*(p == n) for p in pos for n in neg)
return s/(len(pos)*len(neg))
for k in (1, 5, 25):
pos = [confidence(x, y, k) for x, y in members]
neg = [confidence(x, y, k) for x, y in nonmembers]
best = max(sum(p >= t for p in pos)/len(pos) - sum(n >= t for n in neg)/len(neg)
for t in sorted(set(pos + neg)))
print(f"k={k:2d} attack_auc={auc(pos, neg):.3f} best_advantage={best:.3f}")
Saída esperada:
k= 1 attack_auc=0.600 best_advantage=0.200
k= 5 attack_auc=0.521 best_advantage=0.073
k=25 attack_auc=0.520 best_advantage=0.060
1.6 Atividades práticas
- Escreva o seu tema e, depois, três perguntas candidatas na forma PICO; escolha uma e justifique a viabilidade. 2. Escreva um protocolo de busca e execute-o, registrando as contagens. 3. Monte uma matriz de evidências com dez linhas. Nas perguntas, nomeie o sistema, a intervenção ou fator, a comparação e o desfecho, como faz a pergunta de Leo. Julgue a viabilidade por dados, computação, prazo e ética, e descarte qualquer pergunta que falhe em um deles. Na busca, registre as bases, as expressões, as datas e as contagens em cada etapa, para que outra pessoa possa repeti-la. Na matriz, inclua se cada artigo relata TPR com FPR baixa.
1.7 Erros e limites
Cinco erros se repetem, e cada um enfraquece a dissertação desde o início:
- Perguntas amplas demais para serem respondidas numa dissertação; uma pergunta ampla não pode ser respondida no prazo.
- Buscas que param na primeira página de um buscador; uma busca que para cedo perde trabalhos como os três estudos de deduplicação que Leo encontrou.
- Tratar um blog de fornecedor como evidência; um blog de fornecedor é uma alegação a verificar.
- Citar artigos que você não leu, ou fabricar identificadores; identificadores não citados ou inventados abalam a confiança em todas as outras citações.
- Relatar apenas médias para ataques de privacidade; as médias escondem os poucos indivíduos que um ataque identifica com confiança, que é justamente o dano que Leo estuda.
Exercícios
- EX001 — PICO. Escreva uma pergunta PICO sobre defesas contra injeção de prompt. Rubrica: 3 = os quatro elementos específicos e viáveis; 2 = um vago; 1 = dois ausentes; 0 = só o tema.
- EX002 — Protocolo de busca. Liste seis elementos de um protocolo de busca documentado. Rubrica: 3 = fontes, expressões, datas, critérios, data da busca, contagens; 2 = quatro; 1 = dois; 0 = nenhum.
- EX003 — Colunas da matriz. Nomeie seis colunas de matriz para uma revisão da literatura de segurança de IA e diga por que uma delas importa. Rubrica: 3 = seis pertinentes mais justificativa; 2 = seis; 1 = três; 0 = nenhuma.
- EX004 — FPR baixa. Por que relatar a TPR com FPR baixa na inferência de pertencimento? Rubrica: 3 = o dano vem da identificação confiante de alguns indivíduos; as médias o escondem; 2 = parcial; 1 = vago; 0 = errado.
- EX005 — Ordenação de fontes. Ordene: blog de fornecedor, preprint do arXiv com código, artigo revisado por pares sem código, framework do NIST — e explique o papel do framework. Rubrica: 3 = ordenação sensata mais o framework como vocabulário, não resultados; 2 = só a ordenação; 1 = vago; 0 = nenhuma.
- EX006 — Leitura do laboratório. Que AUC o laboratório de MIA relata com k = 1 e com k = 5? Rubrica: 3 = 0.600 e 0.521 com interpretação; 2 = só os números; 1 = um número; 0 = errado.
- EX007 — Identificador ausente. Você não encontra um DOI para um artigo de workshop. Como o cita? Rubrica: 3 = autores, título, veículo/ano, URL de fato usada, sem DOI inventado; 2 = parcial; 1 = vago; 0 = inventa um.
Síntese
Uma boa dissertação começa com uma pergunta estreita e viável e uma busca que outra pessoa possa repetir. A matriz de evidências transforma a leitura num mapa de lacunas, e a honestidade nas fontes mantém o mapa confiável.
Continue estudando — capítulo 01 de 08
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