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Pesquisa doutoral · Capítulo 1 · Português

Capítulo 1 — Integridade e métodos avançados de pesquisa

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Capítulo 1 — Integridade e métodos avançados de pesquisa

Mapa da aula

Aula 01 publicada. Mapa, exemplo, EX001.

flowchart TD
  N0["1.1 Uma pergunta falseável"]
  N1["1.2 Por que a pergunta importa"]
  N2["1.3 Regras de integridade"]
  N3["1.4 A unicidade como linha de base"]
  N4["Laboratório — Unicidade de passageiros sintéticos em"]
  N5["Síntese"]
  N0 --> N1 --> N2 --> N3 --> N4 --> N5
  N5 --> EX["Exemplo resolvido"]
  EX --> Q["Exercício EX001"]

Desenho lógico

flowchart LR
  N0["1.1 Uma pergunta falseável"]
  N1["1.2 Por que a pergunta importa"]
  N2["1.3 Regras de integridade"]
  N3["1.4 A unicidade como linha de base"]
  N4["Laboratório — Unicidade de passageiros sintéticos em"]
  N5["Síntese"]
  N0 --> N1 --> N2 --> N3 --> N4 --> N5 --> Q["EX001"]
[1.1 Uma pergunta falseável]
    |
    v
[1.2 Por que a pergunta importa]
    |
    v
[1.3 Regras de integridade]
    |
    v
[1.4 A unicidade como linha de base]
    |
    v
[Laboratório — Unicidade de passageiros sintéticos em]
    |
    v
[Síntese]
    |
    v
[Exemplo resolvido] --> [Exercício EX001]

Objetivos de aprendizagem

Você vai (1) formular uma pergunta falseável sobre publicação de dados com preservação de privacidade; (2) definir regras de integridade para pesquisas que envolvem dados pessoais; (3) medir com que rapidez atributos comuns tornam as pessoas únicas.

1.1 Uma pergunta falseável

Ines Carvalho é doutoranda na fictícia Thornbury University, sob orientação do Prof. Henrik Aaltonen. Sua parceira é a fictícia Valemont Regional Transit Authority, que coleta as viagens feitas com cartão eletrônico e quer publicar dados de deslocamento para os planejadores urbanos. Ines pergunta se publicar contagens de origem e destino com privacidade diferencial protege os passageiros melhor do que publicar registros de viagens k-anonimizados, com uma utilidade que os planejadores ainda aceitem. Antes de coletar qualquer coisa, ela escreve quais resultados provariam que está errada: nenhuma redução mensurável no risco de vinculação, ou um erro tão grande que os planejadores rejeitem as contagens nas decisões rotineiras de quadro de horários.

1.2 Por que a pergunta importa

A pergunta importa porque dados de transporte parecem inofensivos, mas revelam onde as pessoas moram, trabalham e rezam. Pelo Regulamento (UE) 2016/679, o GDPR, dados que permitem singularizar uma pessoa continuam sendo dados pessoais, enquanto o Considerando 26 deixa a informação verdadeiramente anônima fora do regulamento. A LGPD brasileira, Lei nº 13.709/2018, traça uma linha semelhante: dado anonimizado é o dado relativo a titular que não possa ser identificado, considerando os meios técnicos razoáveis e disponíveis na ocasião do tratamento (art. 5º, III), e esse dado não é considerado pessoal, salvo quando a anonimização puder ser revertida com esforços razoáveis (art. 12). Saber se uma publicação é anônima é, portanto, uma questão jurídica e também técnica. Ines a trata como uma afirmação empírica a ser testada, e não como um rótulo que a autoridade possa simplesmente aplicar a uma planilha antes de publicá-la.

1.3 Regras de integridade

A pesquisa com dados pessoais não pode criar o dano que estuda. O protocolo de Ines, aprovado pelo comitê de ética da Thornbury e revisado pelo encarregado de proteção de dados da Valemont, fixa cinco regras. Ela trabalha apenas com uma população sintética gerada para reproduzir estatísticas agregadas já publicadas; nenhum número real de cartão sai da autoridade; todo experimento de ataque mira a população sintética, nunca passageiros reais; o plano de análise é pré-registrado antes que os resultados sejam vistos; e todo arquivo que deixa o ambiente seguro é conferido em busca de identificadores diretos. Ela também declara que não tem interesse comercial em nenhum produto ou consultoria de anonimização.

1.4 A unicidade como linha de base

Antes de comparar métodos de publicação, Ines mede quão identificadores são atributos comuns. Sweeney (2002) mostrou que poucos quase-identificadores, como código postal, data de nascimento e sexo, bastam para singularizar a maioria das pessoas, o que motivou o modelo de k-anonimato. O laboratório cria 20.000 passageiros sintéticos com uma zona de residência, uma zona de trabalho, um ano de nascimento e um sexo, e depois conta a parcela que é única em combinações crescentes. A zona de residência sozinha não singulariza ninguém, e residência mais trabalho também não, mas acrescentar o ano de nascimento torna 83,4% únicos, e acrescentar o sexo eleva a proporção para 91,5% da população sintética.

Laboratório — Unicidade de passageiros sintéticos em quase-identificadores

# Share of synthetic transit riders who are unique on combinations of quasi-identifiers.
import random
from collections import Counter
r = random.Random(7)
riders = [(r.randrange(40), r.randrange(40), r.randrange(1940, 2008), r.choice("FM")) for _ in range(20000)]
def unique(cols):
    keys = [tuple(x[c] for c in cols) for x in riders]
    c = Counter(keys)
    return sum(1 for k in keys if c[k] == 1) / len(keys)
for name, cols in [("home zone", (0,)), ("home + work zone", (0, 1)),
                   ("home + work + birth year", (0, 1, 2)), ("home + work + birth year + sex", (0, 1, 2, 3))]:
    print(f"{name:32s} unique {unique(cols):6.1%}")

Execute com python3 lab_unique.py. Saída verificada:

home zone                        unique   0.0%
home + work zone                 unique   0.0%
home + work + birth year         unique  83.4%
home + work + birth year + sex   unique  91.5%

Exemplo resolvido

Ines formula uma comparação falseável entre registros k-anonimizados e contagens diferencialmente privadas, define regras de integridade para a pesquisa com dados de transporte e registra uma linha de base: 83,4% dos passageiros sintéticos são únicos na combinação de zona de residência, zona de trabalho e ano de nascimento.

Caso sintético. A Thornbury, a Valemont e todos os passageiros são sintéticos; o GDPR, a LGPD e Sweeney (2002) são reais.

Erros e limites

A unicidade em uma população sintética apenas se aproxima da unicidade na população real. Ser único não é o mesmo que ser reidentificado; o atacante também precisa de conhecimento externo.

Exercícios

Síntese

O capítulo 1 define uma pergunta falseável, regras de integridade e uma linha de base de unicidade. O capítulo 2 mapeia a fronteira da pesquisa, de Warren e Brandeis à privacidade diferencial.

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